Portugalid[Arte] #148
uma viagem com Rui Cardoso Martins, Cláudia Andrade, a banda sonora da semana, Dengaz, Richie Campbell, Diário de Marias, Graças a Neno, David Fonseca, xtinto e sugestões culturais
[estante cápsula]
As Melhoras da Morte, Rui Cardoso Martins
Os meus olhos enamoraram-se pelo Alentejo, como se de um poema se tratasse, visto que existe algo na sua imensidão que me fascina. Isso e ter uma bagagem emocional a transbordar de memórias por diferentes zonas da região. Se algum dia tivesse de sair das margens que me amparam, sei que me sentiria em casa por paisagens alentejanas. Uma vez que esse cenário não está nos planos, apanhei boleia do Rui Cardoso Martins e regressei a Portalegre, reencontrando-me, ainda, com uma personagem carismática.
Gatilhos: Suicídio; Linguagem Explícita
As Melhoras da Morte remete-nos para uma famosa expressão que nos retira o tapete, porque nos ancoramos a tudo o que nos traga conforto e a esperança renasce, embora seja frágil como cristal. Neste contexto, «a morte apoteótica de um amigo leva Cruzeta de volta» à terra que conhecemos em E Se Eu Gostasse Muito de Morrer, «para mais uma grande aventura interior», com «dores e alegrias, fantasmas e afetos». Estava, portanto, curiosa para descobrir de que maneira é que o título encaixaria neste arco narrativo.
Um aspeto que me desarma na escrita do autor é a sua capacidade para abordar temas delicados, interligando-nos a um enredo complexo, mas sem perder o humor mordaz, não porque haja a necessidade de aligeirar, de camuflar o verdadeiro impacto de cada situação, mas talvez por precisarmos de construir mecanismos de defesa. No fundo, é como se nos convidasse para sentar perto do abismo, a contemplar a paisagem, e nos mostrasse que um gesto em falso é o suficiente para resvalarmos: sem alaridos, sem a brutalidade presente no discurso, apenas a ser um espelho do quanto a vida é irónica.
O retrato de um Alentejo isolado, melancólico, a oscilar entre a banalidade dos dias e uma ligeira habitação à sina da comunidade, é pano de fundo para refletirmos sobre suicídio, natureza e religião. A morte parece povoar a cidade, aumentar as dúvidas, a descrença, o peso soturno no peito e, não obstante, há sempre um tom sarcástico que acompanha, porque estas pessoas escondem proezas e peripécias e, no meio de tantas sombras, fazem com que a «esperança para um novo começo» se vá fazendo notar.
Creio que o ritmo pouco linear da narrativa pode criar alguma confusão e afastar-nos da(s) voz(es) do(s) narrador(es), razão pela qual acabei a não me sentir tão envolvida na história. Os assuntos são de máxima importância, a narração do Rui Cardoso Martins consegue ter passagens profundamente poéticas, que nos obrigam a parar e a pensar naquilo que está para lá da camada superficial das palavras, mas precisava de sentir que havia uma coesão maior entre a narrativa principal e alguns temas secundários.
As Melhoras da Morte deambula por terreno familiar, fértil e imprevisível, revelando-se uma autêntica viagem emocional quer pelos lugares, quer pelas pessoas que habitam estas memórias. Sem pedir licença, leva o nosso estado de espírito dos zero aos cem num instante, talvez porque seja urgente «haver as melhoras da vida». Embora não me tenha arrebatado, o que mais gostei neste livro foi o seu caráter antagónico e terminar a leitura a sentir que a perda faz muito barulho, mas que há luz do outro lado da janela.
🎧 Banda Sonora: FMI, José Mário Branco | Purple Haze, Jimi Hendrix
Um Pouco de Cinza e Glória, Cláudia Andrade
A BiblioLED tornou-se uma aliada visível nas minhas leituras e, uma vez que a lista vai aumentando com facilidade, assumi o compromisso de escolher, pelo menos, um livro de lá por mês. Desta maneira, em maio, decidi regressar à escrita da Cláudia Andrade.
Um Pouco de Cinza e Glória passa-se numa aldeia sem nome, onde a guerra é plano de fundo. Ali, conhecemos as histórias dos que ficaram, dos que sobraram por serem considerados inaptos, como era o caso das crianças, das mulheres, dos mais velhos e, até, dos que «carregam dentro de si um medo entranhado», por esse motivo, cruzam-se relatos plurais «de vingança, de amor, de dor, de luxúria, de violência e de crime».
Embora não me tenha relacionado por completo com a narrativa, porque preferia ter sentido uma coesão maior entre as histórias, não deixou de ser interessante constatar o quanto nos confronta com os nossos instintos mais primitivos e com os desejos que tentamos, a todo o custo, silenciar. Além disso, é fascinante perceber como os meios se tornam ainda mais pequenos, como as fronteiras se esbatem e há elos transversais.
Creio que o meu problema foi mais ao nível da estrutura, já que a escrita tem um traço poético, por vezes misterioso, e espelha a humanidade deste grupo de personagens.
🎧 Banda Sonora: Barco Negro, Amália Rodrigues | Sangue Oculto, GNR
[gira-discos]
A banda sonora da semana
As músicas: Que Mar é Este, Sérgio Onze & Gisela João | Casa Nova, MUN | Morrer de Amores, SAMSACION | Na Minha Concha, Joana Alegre | Sou Arqueólogo, Chico da Tina | Se Ligares, Atendo, Aurora Pinto | Tipicamente Casados, Ana Bacalhau & Mimicat | Consumido, Yung Juse & Taye | Abismo, Cassete Pirata | Deserto, Milhanas | Histórias - Versão Acústica, Nunca Mates o Mandarim.
Os EP’s e os álbuns: Latitude 40º, Gustavo Reina | This Is What Love Feels Like, Gui Aly | Incoerente, Elisa | Liga Dura, Rita Vian | Elephant In The Room, Richie Campbell.
[caixa mágica]
Confessions: Entrevista com Dengaz
A Margarida Antunes recebeu o Dengaz no Confessions, com quem conversou sobre a sensação de estar de regresso com um novo trabalho, as motivações para voltar agora, o conceito do álbum, a dualidade de sonoridades, os artistas da nova geração, a ligação ao Brasil e as inspirações. Gostei, particularmente, de ouvir falar sobre viagens e sobre o quanto podem ser uma fonte de ideias novas, porque nos retiram do quotidiano, mas que também é possível fazê-lo sem ser necessário viajar, porque sinto que trouxe, aqui, um ângulo um pouco diferente: sem aprofundar, mostra-nos que existem alternativas.
Interpretou, ainda, um dos temas do álbum, o Devia, e a Anos Luz, do Matûe.
Elephant In The Room: The Documentary
O tempo avança, ainda assim, o tema Blame It On Me continua(rá) a ter um lugar cativo no meu coração: não só pela melodia e pela letra que toca em tantos recantos íntimos, mas também por me ter cruzado com um dos meus artistas casa, o Richie Campbell. E se, aos 17, começava a estreitar esse vínculo, aos 34, os nós estão bem firmes. Por isso, assistir a Elephant In The Room, documentário sobre o seu mais recente álbum, deixou-me com a certeza de que muita coisa se foi ajustando no caminho, mas não a essência (essa nunca se perdeu), e que tudo isto continua a ser o sonho de um miúdo a florescer.
A influência dos pais e dos artistas que admira e não lhe largaram a mão, o percurso, a ética de trabalho, a exigência e honestidade, o saber que é necessário elevar o nível são tudo retratos que encontramos aqui, permitindo-nos compreender melhor aquele que é o conceito do disco. Por esse motivo, acredito que faça mais sentido assistir primeiro ao documentário, para nos situarmos no tempo, no espaço e, claro, na visão do artista.
Durante uma interação específica, alguém diz ao Richie que «se praticas uma arte, não deve haver fronteiras no que fazes ou no que aprendes» e eu sinto que isso o define.
[biblioteca sonora]
Dário de Marias
O nome Maria está no meio deles, por isso, Inês Meneses e Rui Maria Pêgo uniram-se neste Diário de Marias para conversarem «sobre os seus dias», tão cheios de cultura, de desabafos, de pensamentos e, até, «de pequenos delitos entre amigos». Estou bastante entusiasmada com este projeto, sobretudo, por juntar duas pessoas que adoro escutar. De segunda a sexta, marcamos encontro na Rádio Futura e nas plataformas digitais.
Para ouvir durante a semana, tenho a conversa da Jani Zhao, no Dona da Casa.
[cartaz]
Graças a Neno, Sérgio Fernandes
A Kilt é casa de alguns artistas que acompanho de um modo mais regular e, através do Conteúdo do Batáguas, até tem realizado sonhos que talvez não soubessem que tinham, que o diga Sérgio Fernandes, desafiado a subir a palco com um espetáculo de stand-up.
Pastor Serjão é revisor de texto e um dos guionistas do Conteúdo do Batáguas, por isso, utilizar a expressão «desafiado» é capaz de ser um eufemismo, porque, na realidade, a equipa obrigou-o a construir um solo e a aventurar-se, sozinho, num formato que foge do seu ambiente. Os trocadilhos são imagem de marca, mas as particularidades não se esgotam por aqui: «aos 13 anos decidiu que o guarda-redes Neno era Deus» e, um ano depois, «juntou os amigos da rua e criaram o Vitória Clube de Santarém». Portanto, no meio de tantos «acasos absurdos», que o levaram do jornalismo ao futsal e ao humor, a estreia, naturalmente, só podia partir do quanto ser devoto de Neno lhe mudou a vida.
O traço imprevisível era a única certeza de comparência. Minto, a presença de Diogo Batáguas, Vítor Sá, Rui Cruz e Rodrigo, que é novo, também estava confirmada, o que me pareceu bastante sensato, já que foram os responsáveis por Sérgio Fernandes estar nesta alhada. E, tal como os verdadeiros amigos que permanecem por perto a assistir e a apoiar todas as nossas aventuras — e a impedir fugas —, eles puxaram as cadeiras e não o deixaram desamparado, tendo cada um o seu momento ao longo do espetáculo.
Admito que calibrei as expectativas, uma vez que não sabia o que esperar, mas foi um excelente espetáculo: bem construído, com um texto sólido e sem quebras de ritmo. O nervosismo fez-se sentir, o que acho natural, mas não comprometeu a entrega, porque Pastor Serjão é genuinamente cómico e creio, até, que foi capaz de usar o desconforto para trazer ainda mais expressividade às partilhas/dinâmicas. Portanto, misturando as «histórias do bairro do Alto do Bexiga», com «experiências bizarras da sua vida e uma boa dose de sátira», também houve momentos musicais e um exercício de português.
Fomos ouvir esta palavra do senhor e acabamos evangelizados com o talento de Sérgio Fernandes. Se ele quiser, acredito que pode ter um futuro promissor em cima do palco.


David Fonseca na Praça do Eixo Atlântico
A agenda de maio ativou o modo «fogo no parquinho» sem, ainda assim, fechar a porta a planos de última hora. A propósito da Mostra Educativa de Gaia, uma das propostas de evento era o concerto do David Fonseca, por isso, alinhamo-nos para o irmos ouvir.
Tem sido extraordinário vê-lo em palco, porque sinto que embarcamos sempre numa viagem, ora nostálgica, ora futurista, transversalmente enérgica e emocional na dose e nos momentos certos. Talvez seja por esse motivo que não deixo de ficar sem palavras para a maneira como conduz o alinhamento, como comunica com o público, como não há quebras de ritmo e tudo parece tão bem encaixado. Sobretudo, porque é evidente o quanto se diverte a atuar, a construir uma narrativa musical que conversará connosco.
Foi uma noite muito bonita e acredito que foi um belo aquecimento para novembro.




Em Sonhos, é Sabido, Não se Morre: xtinto no CCOP
A voz de Sérgio Godinho, em Lisboa Que Amanhece, ecoa pela casa sem que identifique o cenário de imediato, mas a tentar transportá-lo para a minha realidade, vendo na sua sombra não o Tejo, mas um Douro onde até a neblina se reveste como se fosse poesia.
Em sonhos, é sabido, não se morre aparenta encerrar em si um murmúrio que repetimos até nos convencermos da sua verdade, trazendo um certo conforto e esperança. E, uma vez que estamos a salvo nas nossas quimeras, porque não fazer delas um impulso que nos deixe menos à deriva, mais perto de quem somos? O xtinto fê-lo, após ver «pairar sobre [si] uma nuvem densa que [o] empurrava para fora do [seu] sonho» e lançou o seu mais recente álbum como resposta ao reencontro com a música, ao reapaixonar-se por ela, abraçando uma metamorfose que também apurou a forma como observa o mundo.
Uma característica que me impressiona no xtinto é a sua capacidade para brincar com as palavras, para as desconstruir, levando-nos numa viagem auditiva que é imagem de marca e que amplia a versatilidade da nossa língua. Aqui, escutamos essa abordagem, mas acho que é percetível que a amadureceu, que essa vertente abriu espaço para que a «escrita se pareça com o diálogo que [teria] a falar com alguém». E a verdade é que o álbum conversou comigo, aumentando, a cada audição, a vontade de o ouvir ao vivo.
Sem nos apropriarmos das suas experiências, fragilidades e emoções, sinto que existe uma linha transversal onde nos conseguimos rever, porque todos nós já sofremos por amor, desamor e saudades; já tivemos dúvidas, quisemos desistir, ficamos presos nos mesmos pensamentos e, de maneiras distintas, encontramos conforto nas raízes, nos amigos, na família. Creio, portanto, que o álbum é sobre todos os lugares — físicos e íntimos — onde regressamos, nos fixamos e renascemos. Além disso, talvez seja sobre ficar em «silêncio numa casa barulhenta», combater a inércia, lutar contra as nuvens e os fantasmas que vão pairando ao redor e ver beleza onde mais ninguém a reconhece.
Em sonhos, é sabido, não se morre cativou-me a coesão entre faixas, a parte instrumental que as une, sem perderem identidade e autonomia, o som das guitarras e do saxofone e, sendo o xtinto um homem de palavras, «que abraça as melodias sem nunca descurar o texto», a perícia de versos como ‘tão a ganhar força onde eu não vi verdade (Dividir), eu guardo-te o teu espaço no meu colo (Sofá), se eu só sei ser sozinho deixa-me estar/a sós a dar abrigo ao mau estar (Tempestade), mas basta olhares por mim a dentro para veres que moro só (Fora d’Horas), mas tu sabias ser melhor que a solidão então ficaste (Vento) e o que faz falta a esta cidade/são os teus olhos sobre ela (Cidade). Portanto, desligar o leitor de cd’s e ir escutar cada um deles ao vivo era tudo aquilo que precisava para estreitar o vínculo.
As expectativas para o concerto não estavam modestas, admito, e o melhor de tudo foi sair do Auditório CCOP a sentir que as superou a todas. Aliás, foi daqueles casos em que os detalhe se alinharam na perfeição, porque o xtinto tem uma presença em palco contagiante, o alinhamento ficou incrível, a entrada dos convidados foi na altura certa, o público entregou tudo e o próprio espaço contribuiu para que o espetáculo, embora bastante enérgico e dançável, não perdesse a sua componente intimista, quase familiar.
Naturalmente, fizemos uma paragem mais extensa pelos temas do novo álbum, porém, foi de coração a transbordar que pudemos ir aos clássicos como Pentagrama, Marfim e Éden. E se esta seleção já mexeu por dentro, sobretudo quando começaram os acordes da Pentagrama, nem quero imaginar se ele incluísse a Berço no reportório: era capaz de ter mais dificuldades para recuperar emocionalmente. Faço só a ressalva de que isto é uma observação pessoal, porque gosto muito do tema e seria incrível escutá-lo ao vivo, não uma crítica, até porque a história que ele contou em cima do palco ficou perfeita com a sequência que escolheu. Por outro lado, para além de confirmar que a Cidade, a Sofá e a Vento têm o meu coração por inteiro, foi excelente perceber como a Prisma e a Kintsugi crescem neste formato e como precisamos que lance aquele verso da Interlúdio.
Não conhecia as pessoas que tinha à minha volta, mas senti a pele eriçada ao longo da noite, porque é mesmo arrebatador o poder da música e a capacidade de nos alicerçar às palavras de um artista, reproduzindo-as a uma só voz. A forma como cada um viveu a interpretação dos diversos temas, não duvido, foi particular, única, mas não solitária e isso é especial, é sinal de que a mensagem ecoa e permanece. Parafraseando o xtinto, os clichés só o são porque os tornamos verdadeiros e não há dúvidas sobre o quanto a música nos une e serve diferentes propósitos. Ali, gritou pela liberdade e sarou feridas.
Assentamos os pés na terra e levantamos voo. Num assunto que é de todos nós, foi um privilégio tremendo assistir de perto ao seu talento e a esta noite de absoluto sonho.


[bilheteira]
Graças a Neno
Sérgio Fernandes atua hoje (1 de junho), às 21h, no Teatro Tivoli BBVA. Os bilhetes variam entre os 13,42€ e os 24,16€.
Em Casa D’Amália
A versão ao vivo do Em Casa D’Amália acontece dia 3 de junho (quarta-feira), às 21h, no Auditório Jorge Sampaio, do Centro Cultural Olga Cadaval. Os bilhetes variam entre os 16,11€ e os 21,48€.
Quartas Perfeitas: Valter Lobo
O artista atua no dia 3 de junho, às 21h30, no Auditório Municipal Beatriz Costa (Mafra). Os bilhetes têm o custo de 5,40€.
Clube de Poesia: A Poesia Adora Andar Descalça
O Clube de Poesia «convida à leitura, escuta e conversa em torno da poesia, abrindo lugar à descoberta de diferentes vozes e à criação de um diálogo entre textos, leitores e bibliotecas». No dia 3 de junho, na Biblioteca Poética Eugénio de Andrade, destaca-se Jorge Sousa Braga. O evento ocorre das 15h às 16h, é de entrada gratuita, mas precisa de inscrição (aqui), e é para maiores de 16 anos.
Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir
Carminho apresenta o seu mais recente álbum, dia 6 de junho (sábado), no Coliseu do Porto Ageas, às 21h30. Os bilhetes variam entre os 21,48€ e os 48,32.
Concerto Iolanda
A artista atua no dia 6 de junho, às 21h30, no Teatro Cinema de Fafe. Os bilhetes variam entre os 5,37€ e os 10,74€.
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«Nós tentamos mas tentar não é suficiente
Nós aguentámos até ser a última vez
A paciência nem é o meu forte mas eu espero»[in Cartas na Mesa, Van Zee]
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